terça-feira, 12 de março de 2013

A igreja e a Pós-modernidade




Amigos leitores, desfrutei muito deste texto de René X. Pereira e gostaria de compartilhar-lo com vocês.

Como começou tudo?

A história humana se caracteriza por o surgimento de importantes mudanças que afetaram a idiossincrasia das grandes civilizações. Estas mudanças são produto de idéias e conceitos que se propagam de individuo a individuo e de nação a nação, até ser uma influência maior na cosmovisão de toda uma época. Também são o resultado de eventos significativos que transforam para sempre a maneira de ver as coisas.
Os sociólogos, que analisam estas transformações e o comportamento dos diversos grupos sociais, afirmaram que o mundo ocidental está experimentando uma mudança em sua cosmovisão cuja qual chamam de pós-modernismo. Mais que um movimento que envolve aos intelectuais e acadêmicos, o pós-modernismo na atualidade conseguiu  encontrar um lugar na sociedade ocidental de tal forma que as novas gerações só visualizam o hoje.
O que é o pós-modernismo? Representa uma abertura a todo tipo de idéia e crença sem o freio da razão. É uma tolerância que ignora todo tipo de valores absolutos. O termo pós-modernismo significa posterior ou sequente ao modernismo. Isso é o que este movimento resulta ser: uma reação oposta a uma forma de pensamento predominantemente racionalista e empírico que dominou o mundo por muitos séculos. De maneira que não podemos entender o pós-modernismo sem primeiro dar uma olhada em tudo que representou o modernismo.
A época moderna ou modernismo surgiu perto do final de século XVI e princípio do século XVII, devido a três acontecimentos sumamente importantes:
• O descobrimento de América
• O renascimento
• A Reforma Protestante

O modernismo surgiu no mundo como uma reação a era da escuridão e ao atraso que representou a Idade Média no mundo. Durante a época medieval, todas as artes, ciências, filosofías e as diversas disciplinas do conhecimento estiveram abaixo do restrito controle e supervisão da Igreja Católica. As grandes bibliotecas e coleções dos clássicos da antiguidade se encontraram por muito tempo escondidos do povo comum. Os monastérios e as abadías se converteram em guardiões de toda esta vasta coleção de clássicos do mundo antigo, incluindo até a Biblia. O renascimento surge na Europa como uma chama que vai contagiando as outras nações. Começa a manifestar-se um marcado interesse por tudo que era clássico grego e romano. As viagens de navegantes e aventureiros como Marco Polo, que chegou até a China e relatou suas experiências nestas travessías, começam a despertar ena Europa um tremendo interesse por essas culturas que estiveram fora do alcance do poder da Igreja Católica.
O descobrimento do Novo Mundo por sua vez, criou nos europeus um desejo de explorar e se aventurar nas terras recém descobertas. Este foi pouco a pouco rompendo com a falta de mudanças e o conformismo da época medieval. Finalmente, a Reforma Protestante do século XVI significou, entre outras coisas, o fim do domínio quase absoluto de Roma sobre a política dos estados europeus, sobre as ciências, as artes e a cultura. No âmbito político o modernismo trouxe o nascimento do estado moderno e seu sistema republicano. Surgiram os chamados filósofos do iluminismo como RouseauVoltaire e Montesquieu, cujo os quais trouxeram idéias completamente revolucionárias para aquele tempo. O antigo conceito de direito divino dos reis para exercer o poder absoluto sobre a vida e destino de seus súditos foi questionado pelo iluminismo. Começou a ser propagada a idéia de que o poder devia vir do povo, e era o povo mesmo quem dava autoridade aos governantes por meio do voto. Duas grandes revoluções acenderam a chama destas novas idéias: a revolução americana em 1776 e a revolução francesa em 1789. O iluminismo formulou os ideais da igualdade de todos os homens que foram criados livres. Como parte deste movimento de desenvolvimento o que se chamou o “culto ao deus da razão”. O modernismo ignorou as antigas idéias religiosas e abraçou o racionalismo e o empirismo como sua nova religião.
A fé do modernismo foi baseada no el potencial humano, no estado moderno, na ciência e na tecnologia. Já não era necessário explicar a criação e a origem da vida em termos bíblicos porque agora a ciência e a razão contestariam as grandes interrogações do ser humano. No século XVIII e XIX começou a  se desenvolver o que se chamaría  Revolução Industrial. Durante estes anos o avanço científico e tecnológico em comparação com os séculos anteriores foi extraordinário. O mundo ocidental foi passando de uma economia prioritariamente agrária, para a manufatura, a indústria e a produção. Surgiu uma nova classe chamada burguesia, que estaria composta pelos grandes comerciantes e empresários. O capitalismo como filosofia econômica alcançou grande aceitação entre as nações do ocidente. Chegou o momento, que diante de tantos avanços tecnológicos e científicos, que muitos começaram a dizer que a religião rapidamente desapareceria. A ciência e a razão conseguiriam criar um mundo melhor, acabariam com as enfermidades, a miséria, e os grandes problemas do homem e todos os mistérios da vida seriam explicados.
Muitos disseram que já não seria necessário crer em Deus porque o homem com sua inteligência chegaria a suprir todas as suas necessidades. Mas quando a civilização ocidental entrou no século XX, as coisas começaram a sair mal. Chegou a primeira guerra mundial em 1914. A diferença de outras guerras na  história, para esta se demonstrou que a ciência e a tecnologia, no lugar de encher as necessidades do ser humano,  serviu também para matar e destruir. O mundo se viu envolvido em uma terrível guerra que se estendeu mais distantes das fronteiras de una região específica. Posteriormente outra guerra mais terrível que a primeira, feriu mais fortemente o grande sonho modernista: A Segunda Guerra Mundial. O modernismo produziu ideologias sócio-políticas como o fascismo e o marxismo. Adolfo Hitler empregou cientistas para idealizar armas terríveis de destruição em massa. Os Estados Unidos também empregou a cientistas e técnicos que criaram a arma mais terrível e devastadora: a bomba atômica. O lançamento da bomba atômica em Hiroshima e posteriormente em Nagasaki provou que o homem realmente estava muito longe de conseguir toda sua felicidade e erradicar seus problemas.

A grande frustração

A busca do saber, da tecnologia, da razão e a ciência deixaram um vazio no espirito do homem. A industrialização trouxe a contaminação e a destruição acelerada dos recursos naturais. O capitalismo fez aos ricos mais ricos e aos pobres ainda mais pobres. O socialismo tampouco encheu as necessidades do ser humano, e também se converteu em uma nova ditadura. A medicina conseguiu encontrar a cura de muitas enfermidades, mas ao mesmo tempo surgiram novas versões de vírus e bactérias resistentes aos antibióticos e vacinas que se haviam inventado. Finalmente a guerra da Córeia e a do Vietnam criaram uma onda de protestos e cse começou a sentir um profundo descontentamento diante do já claro fracasso da utopia modernista. O homem do século XX resultou ser ainda mais infeliz e insatisfeito que no passado.
Esta crescente frustração terminou traduzindo-se em uma reação contrária. Filósofos como NietzscheSartreAlbert Camus, e outros, começaram a promover as idéias do existencialismo e o niilismo. Filosofias que foram preparando o caminho para o pós-modernismo. O conceito de que não há verdade, porque tudo é a verdade e ao mesmo tempo, nada é a verdade. O que para o homem moderno foram ideais e verdades absolutas, para o pós-modernismo são valores relativos e situacionais. Se perdeu a fé nas instituições, no estado, nos grandes ideais e surgiu uma nova fé no "eu", e no indivíduo. Uma mentalidade de sacrifício pelo coletivo foi substituída por uma mentalidade de não-sacrifício por nada. O homem pós-moderno se tornou totalmente indiferente diante da vida. Em lugar de lutar por ideais e grandes paradigmas, o pós-modernismo decidiu não pensar nos problemas, não buscar solução, senão, viver o momento. O prazer e o hedonismo se converteram nos dois grandes pilares da pós-modernidade.
A penetração social do pós-modernismo têm sido efetivamente assombrosa. Se generalizou a idéia de que tudo é relativo. Cada grupo cultural, religioso ou político vive, segundo o pós-modernismo, em sua própria realidade. A verdade é se torna totalmente subjetiva, e não há maneira de estabelecer verdade objetiva e absoluta alguma. De maneira que o pós-modernismo adotou uma atitude de tolerância e sincretismo diante de toda idéia ou conceito. Os educadores pós-modernos, por exemplo, ensinam que cada vez que uma pessoa afirma possuir a verdade (especialmente a verdade religiosa), termina reprimindo e descartando a todos os que não estão de acordo. Por isso, o pó-modernismo proclama aos quatro ventos que a verdade morreu e não existe. Cada um fabrica sua própria “verdade” segundo a lente com que vê as coisas, e ninguém pode questionar nem expor, ou julgar sua verdade.

O pós-modernismo entra na igreja

Como era de se esperar, o pós-modernismo também vêm influenciando a igreja evangélica, Não é desconhecido o fato de que a igreja ão está imune as influências da sociedade em que participa. O pós-modernismo evangélico têm produzido um novo sistema de fé muito semelhante a seu homólogo secular. Um sistema no qual os valores absolutos, a doutrina, as grandes verdades da Escritura que outrora foram os pilares do cristianismo clássico, são abandonados pelo culto da experiência pessoal e a la fé individual. Anteriormente o modernismo, em seu desejo pelo científico e o racional, deixou de lado tudo relacionado com o espiritual e o sobrenatural. O pós-modernismo fez tudo ao contrário. Seu lema é: há que crer em algo, não importa o que seja. O modernismo produziu uma igreja seca que descartou todo o sobrenatural, um “cristianismo” que terminou negando os milagres, a ressurreição de Cristo e o relato da criação. Surgiram igrejas e seminários que se tornaram centros de ensino humanísticos. Neles se negou a inerrância das Escrituras e a historicidade dos relatos bíblicos. As igrejas que abraçaram o modernismo se tornaram liberais e áridas, sem emoções nem experiências.
A mesma reação que ocorreu no âmbito secular, se repetiu no religioso. A igreja pós-moderna representou o extremo oposto. Uma igreja donde o pensar, analisar, estudar, e apresentar as verdades bíblicas já não é o primordial, senão sentir, experimentar e se alegrar. Uma espiritualidade que, mesmo que podia parecer positiva para muitos, é tão perigosa como o duvidar modernista porque é uma espiritualidade hedonista, fora da verdade bíblica. O pós-modernismo deu a luz uma igreja desenhada para que as pessoas venham se “sentir bem”, para preencher suas necessidades particulares. Por tanto se caracteriza por ser uma igreja cuja pregação é “light” ou leve, motivacional e psicológica. Uma igreja que não se preocupa muito por tratar sobre os temas do pecado, a culpa do homem, o castigo eterno, o juízo, a santidade ou o arrependimento. Seu tema favorito é a unção, o poder, os sonhos, as revelações particulares, a experiência, a prosperidade, a benção e o riso. A visão da igreja como estabelecida para proclamar o reino de Deus, ser baluarte da verdade e alcançar ao mundo perdido, é trocada por uma espécie de centro de consumo onde os fregueses vêm a “consumir” o que se oferece. Surge então uma igreja desenhada para ser aceitável as pessoas, empregar qualquer meio disponível para experimentar um crescimento rápido.
O cristão pós-moderno estará mais preocupado por seus assuntos particulares, sua felicidade e bem-estar pessoal, ou sua condição econômica que por qualquer outra coisa. O sofrimento pelo evangelho, o sacrifício e a autonegação serão conceitos estranhos e anacrônicos para ele, porque haverá abraçado o evangelho “pare de sofrer”, cuja mensagem central é: “seja feita minha vontade assim no céu como na terra”. É o evangelho da comodidade, o conformismo e o pragmatismo. Um “deus” desenhado como una garantia contra problemas e adversidades. Que está para servir ao individuo e encher todas as suas necessidades particulares. Por isso a igreja pós-moderna irá cada vez mais projetando-se para dentro, e não para fora. Investirá milhões de dólares em oficinas e congressos de adoração, de guerra espiritual ou de finanças, mas não encontrará muita importância para as necessidades dos missionários e os cristãos das outras nações.

Como a igreja deve enfrentar a pós-modernidade?

Alguns estudiosos da igreja hão sugerido que a igreja biblicamente orientada, ou que pretende alcançar ao mundo perdido por meio do testemunho racional não funcionará na era do pós-modernismo. Afirmam que a igreja têm que mudar seu foco para poder chegar às pessoas desta época. Entretanto se sustentamos que o evangelho bíblico não chegará as pessoas em um futuro próximo, estamos afirmando que ninguém será alcançado em realidade. Qualquer “evangelho” que pretenda alcançar as pessoas sem a exposição da verdade, não pode ser chamado evangelho cristão. Nossa mensagem é única, não porque nos aproxima a uma melhor experiência espiritual, senão porque é a verdadeira mensagem. A igreja não pode abandonar nem mudar sua mensagem para se acomodar as transformações sociais e culturais. O argumento de que para alcançar aos perdidos há que se fazer de grego aos gregos, e judeu para alcançar a los judeus, não têm nada a ver com mudar a mensagem cristocêntrica. Uma coisa é abandonar os princípios culturais para que o evangelho chegue a uma nação, como fez Paulo, mas outra coisa é abandonar ou mudar a essência da mensagem bíblica. Claro, no estamos afirmando que os cristãos meramente oferecen verdades objetivas quando testificam. Demostrar o amor de Deus, viver como Jesus, e experimentar o poder de Deus é extremamente importante hoje. Mas tudo isso deve basear e ilustrar a verdade do evangelho, jamais substituir-la.
Quem favorece a substituição da exposição bíblica para conseguir una melhor comunicação com a cultura pós-moderna, ignora também uma grande verdade: o Espírito Santo é que converte as pessoas. Ninguém se converte porque encontrou uma igreja na qual se sente cômodo, senão porque foi quebrantado pelo Espírito quando lhe pregaram o verdadeiro evangelho. O receber o evangelho não é um assunto de técnicas de comunicação, senão de revelação especial. Quando Jesus veio ao mundo, ensinou e falou coisas que muitos não entenderam, mas aqueles a quem foi revelado, sim entenderam. A cegueira espiritual no ser humano é tal que só a graça e misericórdia de Deus pode abrir seu entendimento por meio da obra regeneradora do Espírito. Sem essa obra sobrenatural, não pode haver entendimento, por mais que um se esforce.
Finalmente não podemos esquecer que o evangelho de Jesus Cristo nunca foi tão popular na sociedade secular. Não foi para o modernismo ateu, e tampouco  será para o pó-modernismo que se mostra tolerante, mas não pode tolerar ao cristianismo bíblico que afirma ser a verdadeira fé. É o preço que sempre tivemos que pagar, e teremos que seguir-lo pagando porque é melhor ser fiel a Deus, antes que aos homens.


Um comentário:

  1. Oi Marcos. Sou professora de EBD e a Coordenação organizou uma gincana missionária. Minha tarefa é entrar em contato (e-mail, telefone) com os missionários do Continente Americano. Queremos falar de suas experiências no campo. (desafio, vitorias, dificuldades) Se possível entre em conato. Desde já muito obrigada. Thaís Milena- thais_milena_20@hotmail.com

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