quinta-feira, 14 de julho de 2011

Formação Espiritual


Uma mensagem muito boa do Dr Richard Foster, vale a pena ler




"Uma transformação real, à imagem de Cristo, é possível"
"O trabalho de formação nos ensina a dar as costas às nossas vontades e focar necessidades reais, como a de anular o ego, tomar a nossa cruz e seguir arduamente Jesus."

O mundo cristão de hoje clama pelo crescimento de uma teologia que trabalhe na cruel realidade da vida diária. Infelizmente, muitos têm desistido da possibilidade de crescimento em relação à formação espiritual. Um vasto número de pessoas bem intencionadas tem se exaurido no trabalho da igreja e descoberto que isto não influencia substancialmente suas vidas espirituais. Elas descobriram que simplesmente eram impacientes, egocêntricas e medrosas quando começaram a carregar o fardo pesado do trabalho na igreja. Talvez até mais.

Outros têm submergido em múltiplos projetos de trabalhos na área do serviço social. Mas quando o ardor de ajudar aos outros esfria por um tempo, eles percebem que tantos esforços hercúleos deixaram poucas marcas duradouras em sua vida interior. De fato, deixaram-nos mais doloridos pela frustração, raiva e amargura. Há também os que ainda têm uma prática teológica que não permite crescimento espiritual. Havendo sido salvos pela graça, essas pessoas têm ficado paralisadas nisso. A tentativa de qualquer progresso espiritual tem um sabor de “obras de retidão” para eles. Sua liturgia diz que eles pecam em palavras, pensamentos e atitudes diárias; então, pensam ser esse seu destino até morrerem. A perspectiva do Céu é o seu único alívio nesse mundo de pecado e rebelião. Conseqüentemente, essas pessoas bem intencionadas vão sentar em seus bancos na igreja – e, passado algum tempo, vão perceber que nenhum avanço foi feito em suas vidas com Deus.

Há um mal-estar geral que nos toca a todos. Parece que nos acostumamos à normalidade da disfunção. A constante exploração da mídia em relação às torrentes de escândalos, vidas partidas e mazelas de toda sorte nos deixa não muito mais do que simplesmente chateados. Temos que esperar um pouco mais do que isso, ao menos de nossos líderes religiosos – talvez, especialmente de nossos líderes. Esta disfunção em toda parte é tão infiltrante que é quase impossível termos uma visão clara do progresso espiritual. Modelos exuberantes de santidade são raros hoje em dia; entretanto, ecoando através dos séculos até aos dias de hoje, estão inúmeras testemunhas que nos contam sobre uma vida muito mais abundante, profunda e completa. Em qualquer posição social ou em qualquer situação da vida, eles encontraram uma vida de “retidão, paz e alegria no Espírito Santo”, possibilidade descrita em Romanos 14.17.

Eles descobriram que uma transformação real, à imagem de Cristo, é possível. Viram suas paixões egocêntricas darem lugar a um coração abnegado e humilde. Há mais de 2 mil anos, registros das vidas de grandes pessoas – Agostinho, Francis, Teresa, Kempis e muitos outros – provam que seguir arduamente nos caminhos de Jesus torna o caráter ilibado. Os registros estão aí para quem quiser ver. Há trinta anos, desde quando Celebration of Discipline(“Celebração da disciplina”) foi escrita, nós enfrentamos duas grandes incumbências: a primeira é que foi preciso rever a grande discussão sobre a formação da alma; a segunda foi encarnar esta realidade nas experiências diárias na vida individual, congregacional e cultural. Francamente, nós temos tido sucesso na primeira tarefa. Todos os tipos de cristãos agora sabem da necessidade de formação espiritual.

É a segunda tarefa que precisa consumir a parte principal de nossa energia nos próximos 30 anos. Se nós não fizermos um progresso real nessas frentes, todos os nossos esforços vão evaporar e secar. Deus tem dado a cada um de nós a responsabilidade de “crescer em graça” (II Pedro 3.18). Isto não é algo que possamos transferir para os outros. Nós temos que tomar as nossas cruzes individuais e seguir os passos do Cristo crucificado e ressurreto.

Todo trabalho de formação autêntico consiste em “trabalhar o coração”. O coração é a fonte de toda ação humana. Todos os mestres religiosos constantemente nos chamam, quase de forma enfadonha, para que nos voltemos e purifiquemos os nossos corações. Os grandes sacerdotes puritanos, por exemplo, mantiveram a atenção nesse ponto. Em Mantendo o Coração, John Flavel, um puritano inglês do século 17, adverte que “a maior dificuldade na conversão é ganhar o coração para Deus; e a maior dificuldade após a conversão é manter o coração com Deus”. Quando estamos trabalhando o nosso coração, as atitudes externas nunca são o centro da nossa atenção. Atitudes visíveis são o resultado natural de algo profundo, bem mais profundo.

A máxima do patriarca Actio – “As atitudes seguem a essência” – nos lembra que a nossa atitude está sempre em acordo com a realidade interna do nosso coração. Isso, naturalmente, não reduz as boas obras à insignificância, mas as tornam questões secundárias; meros efeitos, e não causas. O significado principal é a nossa união vital com Deus, nossa nova criação em Cristo, nossa imersão no Espírito Santo. É essa vida que purifica o coração. Quando o ramo é perfeitamente unido à videira, que é o Senhor, o fruto espiritual é natural.

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