segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Lidando com a Solidão

Vale a pena ler este texto de Robert D. Foster




Anos atrás acordei às duas da manhã com profundo sentimento de solidão. Era uma experiência emocional nova para mim. Marion, minha esposa de 53 anos, estava morrendo no hospital, vítima de complicações de Alzheimer. Um escritor da antiguidade expressou minha “fornalha de aflição” no Salmo 102:6-7: “Sou semelhante ao pelicano no deserto; sou como o mocho nas solidões. Velo e sou como o pardal solitário no telhado.” Sentia-me isolado, distante dos amigos, consumido pelo vazio e pela perda. Como já foi dito, não sem motivo, a palavra "solidão" (em inglês, loneliness) foi considerada a mais triste da língua inglesa. Seu som evoca tristeza.



Segurando uma xícara de café, sentei-me no escuro do escritório, onde geralmente desfrutava de um tempo a sós com Deus em meu tempo de quietude matinal. Aquela ocasião, porém, parecia diferente. Eu me sentia profundamente só, desconectado de todo e qualquer relacionamento. Há uma diferença importante: solidão é algo involuntário, não desejado. O estar só, a quietude, é algo voluntário, uma opção deliberada. Solidão é sempre negativa; estar só é positivo e restaurador. Solidão provoca sentimentos de depressão; quietude geralmente promove inspiração. O Salmo 102 enfatiza esta diferença.



Por exemplo, o que um pelicano melancólico estaria fazendo no deserto? Seu lugar é próximo ao oceano, apreciando os borrifos refrescantes de água. O que um mocho solitário estaria fazendo ali? Este pássaro noturno ama as árvores da floresta ou se empoleirar no alto de postes telefônicos para avaliar sua presa. E o que o pardal solitário estaria fazendo no telhado? Este conhecido e ágil passarinho vive em comunidades. Onde houver pessoas ou edifícios ali encontraremos esta criatura gregária. Teria perdido seu companheiro? Estaria doente? Ou fora rejeitado pelo bando? Os três pássaros são retratados fora de seu habitat, seu ambiente familiar. Seria compreensível que cada um experimentasse sentimentos insuportáveis de isolamento e solidão.



Também encontramos exemplos humanos nas Escrituras – indivíduos solitários, embora não estivessem sozinhos: Jacó lutando com Deus; José no poço e na prisão; Moisés no deserto; Elias no monte Carmelo; Jó assentado em cinzas; Jonas no ventre do peixe; Jeremias no fundo da cisterna; Jesus no Calvário. A mais profunda declaração de solidão foi proferida por Jesus quando Ele perguntou ao Seu Pai: “Por que Me abandonaste?” (Mateus 27.46).



No Salmo 73, Asafe, compositor e líder do coral no reinado de Davi, descreveu sua própria luta mental quando a vida lhe parecia por demais injusta. Ele escreveu em resposta aos seus próprios desapontamentos e sua crise de fé. Este salmo me proporcionou conforto durante a aflição e solidão de anos atrás. Ele oferece estas promessas:



A presença de Deus - “Contudo, sempre estou contigo; tomas a minha mão direita e me susténs” (verso 23).

A proteção de Deus - “Tu me diriges com o teu conselho, e depois me receberás com honras” (verso 24).

A Pessoa de Deus - “E na terra, nada mais desejo além de estar junto a Ti” (verso 25).

Talvez você esteja experimentando tempo de profunda solidão neste momento, em seu trabalho ou em seu lar. É possível que se sinta desorientado ou abandonado, sem um único amigo em que se apoiar. Lembre-se da promessa de Deus a Seus filhos: “Nunca o deixarei; nunca o abandonarei” (Hebreus 13.5).

Um comentário:

  1. Pastor, que lindo texto falou muito ao meu coração! Obrigada por compartilhá-lo conosco!

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Bendiciones